sexta-feira, 18 de abril de 2025

Coessência, sua incognoscível!

 


            Não, gente. Esse cabuloso título não é fruto de pedantismo, erudição, essas coisas. É que adoro o “porraé, TC” de três de meus cinco leitores. Mas vou usar o título, sim, em dois dedinhos de prosa acerca da Páscoa. Antes, deleitem-se com os pensamentos abaixo. Não vejo problema, contudo, se você não botar esta prosa naquela caixinha. Falar nisso, como está a sua caixinha? Costuma guardar lixo e escorpião nela? Faz seleção? Ótimo. Veja os dois deleites e decida se os guarda na caixinha:

            “A cultura é o motor do progresso, a razão pela qual saímos das cavernas e chegamos às estrelas” (Mario Vargas Llosa 1936 – abril de 2025)

“Na consciência, crescer é o único lucro real. Evoluir é reduzir o caos interno (entropia). Amor, verdade e cooperação não são só virtudes – são eficiência energética do ser. E isso é física aplicada à alma” (Éríka Von Sohsten – paraibana vivíssima)

Pascoemos agora?

Preciso informar que

mantenho um calcanhar atrás com religião. E os dois pés com certos líderes religiosos. Mas aprumo os pés, espalmo as mãos e estufo os peitos para o Yeshua, o Jesus da Páscoa.

Leio bastante sobre o Yeshua. Livro-me de barulhos mentais, desfaço-me de retóricas fanáticas, afasto-me de escritos inautênticos e me ponho a estudar textos confiáveis com atualizações científicas. O resultado da obsessão pelo fidedigno deixa sem voz qualquer cético radical, tamanha a evidência de que Jesus foi o cara. Fodão, diria a galera de hoje. Peitar o Herodes, gente, como Yeshua - agora Jesus – peitou não era pra qualquer um. Suas metáforas peitudas fizeram ladrões, vagabundos, meretrizes, todo tipo de gente, enfim, tomar partido por uma causa que mal entendiam. O desfecho dessa história, sabemos, foi a ressureição de Jesus, que simboliza a vitória sobre a morte, e que sobrevive na celebração pascal.

Agora, pessoal, permitam-me descrever dois fatos na trajetória de Jesus cuja repercussão resiste no cotidiano dos cristãos. Tem a ver com as metáforas dele. Redundante lembrar que Jesus era um comunicador especial. Sabia da força das parábolas, aqui chamadas de metáforas. Daí a opção por essa forma de pregar. Ilustro. Usa-se frequentemente a expressão “a importância da educação”. Jesus jamais falaria algo tão vazio para enaltecer a educação. Usaria algo assim: “Estás ensebando rebenques quando deixas certas falas entrarem por uma ouça e saírem pela outra”.

Vejamos os fatos. Passam-se na casa do Levi. Levi é o impiedoso chefe dos cobradores de impostos da Receita Federal do Herodes. Levi se rende às ideias de Jesus e dele se torna aliado. Levi passa a se chamar Mateus e faz um banquete comemorativo. Jesus bebe vinho e come tilápia, seu peixe preferido (Jesus não conhecia carapeba, gente). Lá pras tantas, Jesus fala assim:

“É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

Guardem o buraco aí, pessoal. Volto já pra ele. O segundo fato é a crítica de fariseus e escribas. Os caras batem forte em Jesus em razão de ele se juntar a toda laia de gente, em especial um cruel cobrador de impostos. Jesus se expressa assim:

“Não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento”.

Guardem os pecadores também. Volto já pra eles. Vou contextualizar os dois fatos.

Sucede que Jesus é o primeiro e único humano a viver na coessência. Coessência significa essência comum a duas coisas. E essência é a característica básica de um ser ou de algo. É aquilo que apresenta uma identidade, um caráter distinto. É um conceito forte e delicado. Não há coessência entre a manga espada e a bacuri, já que basta o cheiro diferente para lhes retirar o caráter distinto. Por aí vocês tiram quão complicado é adquirir coessência. Mas Jesus consegue adquiri-la. Coessência com quem?  Com o criador, Deus, presença infinita, ou como queiram chamar. “Consegue adquirir” tem a conotação de pedir.  Por isso e talvez, não seja a locução adequada, pois é Deus, o qual chamo de consciência, quem chama Jesus para a parceria.

Consciência, pessoal, é a minha palavra pra Deus. Está balançando o não de cabeça, não está? Deus é amor, compaixão, solidariedade, gratidão, essas coisas. E outras, dirão vocês. Pois é. A meu juízo, consciência puxa a fila de “outras coisas”. É possível Deus sentir amor, compaixão, essas coisas – e outras - sem que antes não seja pura CONSCIÊNCIA? E vocês? Sentirão essas coisas – e outras - se não cultivarem a consciência? Pois!

Conversa-se com Deus e com Jesus no sentir. Quer senti-los? Então vá ao inconsciente, também conhecido como profundezas da alma. Caso não os encontre lá, vá ao coração. Expressiva parcela dos humanos incorre em colossal equívoco ao procurá-los em outros sítios. São esses humanos que costumam perguntar a outros humanos se acreditam em Deus e em milagres. Perguntas condicionadas a dogmas, porquanto sentir é mais – muito mais – do que acreditar. Milagre é a união de dois corpos gerar a expectativa divina de quem seria você. Milagre é você está lendo isto aqui, meu nobre.

Mas não há de se brigar com quem discorda da crença do sentir, minha nobre. Porque, aí, estaríamos mostrando completa falta de consciência. Seria extremada estupidez, já que estaríamos querendo que um pensasse igualzinho ao outro. Ocorre que existem indivíduos que só sentem uma furada de prego ou um choque elétrico. A esses, porém, não custa lembrar que a vida não é um teorema do Pitágoras. Certas coisinhas se escondem da razão. Tornam-se indecifráveis. E tal esconderijo é belíssimo encanto da vida.

“O coração tem razões que a própria razão desconhece” ilustra bem o nosso esconderijo. E conceitua o esquisitão incognoscível do título. Ah, as aspas do coração é do Pascal. Do filósofo francês, gente. Favor não confundirem com a nossa Páscoa. Falar em Páscoa, suponho que estejam achando que fugi do tema Cristo. Fugi não. Apenas os chamei para reflexão. Refletir, pessoal, é o principal verbo da Páscoa.

Voltemos ao banquete na casa do Mateus. Não esqueci não, gente.

Vejam. Ungido da coessência com Deus, Jesus montou aquela revolução com o divinal objetivo de suprir seu povo do que mal entendiam: consciência. “Não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento” não implica julgamento por parte de Jesus. Ora, Jesus tinha coessência com Deus. Deus deu o livre-arbítrio aos humanos. Como vê-los pecadores e deles exigir contrapartida pela liberdade que lhes fora ofertada espontaneamente? Mas Jesus sabia que seu povo não tinha o filtrador do livre-arbítrio, a consciência. Então cuidou de supri-lo dela. Pecar, aqui, significa atitudes fora da consciência. Com “arrependimento” Jesus dizia popularmente isto: agora que já sabem da besteira que andaram fazendo, façam-me o favor de não repetir, pois pretextos não mais existem. Mas, se repetirem, do Pai só virá clemência. Mas escribas e fariseus não pensaram assim e esculhambaram Jesus. Apreciemos agora a outra fala de Jesus.

“É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

O que acontece. As cidades eram um ovinho naquela época. À noite, devido às constantes invasões, era normal fechar a cidade. Fechava-se o portão central e deixava-se uma portinha, que mal cabia uma pessoa, para as emergências. Tal portinhola chamava-se buraco da agulha. Camelo era o transporte da época. Um camelo jamais passaria por um buraco daqueles. Reino dos céus era a expressão que Jesus usava para se referir aos praticantes da consciência. A consciência dos ricos daquele tempo (e de um montão de hoje) era zero. Então já viu, né?

Ah, a consciência.

“A cultura é o motor do progresso, a razão pela qual saímos das cavernas e chegamos às estrelas” (Mario Vargas Llosa 1936 – abril de 2025)

Será que o motor do Llosa não quer dizer inconscientes cavernas se transformando em conscientes estrelas?

“Na consciência, crescer é o único lucro real. Evoluir é reduzir o caos interno (entropia). Amor, verdade e cooperação não são só virtudes – são eficiência energética do ser. E isso é física aplicada à alma” (Éríka Von Sohsten – paraibana vivíssima)

Quero acreditar que o revolucionário Jesus foi parça duma Érika de Nazaré. O pensamento dela já diz tudo, é certo, mas lucro real se parece demais com plenitude da consciência.

É isso. Boa Páscoa.

Que tal uma tilapiazinha com vinho?

Tim-tim

No 4 do 25,

TC

 

 

 

 

 

 

 

 


Um comentário:

Anchieta disse...

Tião, como sempre, nos levando a reflexões sobre temas polêmicos. Gosto muito da simplicidade e, ao mesmo tempo, complexidade com que escreve. Demonstra muito conhecimento sobre diversos assuntos. Transborda multicultura. Parabéns!