“Não precisa se preocupar,
porque, no final, dá tudo certo”.
Divirto-me no Instagram quando me deparo com jocoso
vídeo cujo tema é a afirmação acima. O vídeo é uma reflexão dez exposta com
humor igualmente dez. Ocorre que a reflexão dez é voltada para as situações do presente,
o que me leva a situar a sentença no passado, pois sinto nela forte catinga do condicionamento
nocivo. Condicionamento, sabem todos, é a subordinação da vontade humana a um
determinismo moral, religioso, ideológico, social, essas coisas. O condicionamento
pode se tornar nocivo quando nasce de determinismos apoiados em afirmações com
cheiros de verdade, mas que transportam nas entrelinhas o fedorzinho da falácia.
Digo pode porque o valor
do condicionamento vai depender do que se faz da informação. “Não precisa se
preocupar, porque, no final, dá tudo certo”, ou o similar “Depois da tempestade
vem a bonança” podem mandar o indivíduo para a passividade, comodismo, para o deixa
a vida me levar. Nocivo, pois. Mas de que depende esse “do que se faz”? Depende
da cósmica briga do inconsciente com o consciente. Essa dupla, pessoal, vive
entre tapas e beijos. O inconsciente abriga memórias, histórias, alegrias,
alegorias. É no inconsciente onde são moldados caráter, valor, moral. Condicionamentos,
seja o nocivo, seja o virtuoso, partem de lá para o consciente. Pelo gosto do
inconsciente, tudo embarcado lá seria transformado em atitudes pelo consciente.
Mas o consciente não aceita a imposição. Por quê? Porque Deus entra no jogo
(Deus dá plantão no inconsciente, sabem, né?), balança o dedinho do não e nos dá
o livre-arbítrio a fim de filtrarmos o que partiu do inconsciente.
É preciso cuidar bem do
consciente a fim de se livrar de inconsistências do inconsciente. É preciso se
ligar até mesmo nos condicionamentos virtuosos. Qualquer vacilo e o pestinha do
inconsciente bota o caráter, integridade, essas coisas, no lixo.
Entender condicionamentos
nocivos não mexe mais na Bolsa de Valores do que atitudes do aluado Trump, mas nos
alimenta de repertório compreensivo. Tudo fica mais leve e humanizado. E esse
tudo acaba evitando discussões com cheiros de brigas.
Vou ilustrar esta
postagem com dois condicionamentos nocivos. Nocivos, vejam bem, pra quem ainda não
sabe distinguir inconsciente de consciente.
O primeiro
condicionamento é religioso.
É enorme equívoco dizer
que religião é um sentimento espiritual. Não é. Ser desta ou daquela religião é um condicionamento cultural. Tomo você como exemplo. Nasceu e criou-se no Brasil? É provável que seja cristão, pois o inconsciente cultural do país o levou a Jesus. Nasceu e criou-se na Tailândia? É provável que seja budista, pois o inconsciente cultural do país o levou a Budas. Nasceu e criou-se no Egito? É provável que seja muçulmano, pois o inconsciente cultural do país o levou a Maomé.O segundo condicionamento
é econômico.
“Recursos escassos para
necessidades ilimitadas”.
É sério isso? Cresceu ouvindo
isso, não foi? Mas recursos temos num estalar de dedos, gente. Ilimitadas não
seriam a concentração de rendas?
Que cada um cuide do
consciente se não quiser ser engolido pelo inconsciente.
Tá cuidando do seu?
Vida que segue. Ah,
gente, o vídeo é muito legal. Assistam Instagram jujumecontatudo.
No 4 do 25
Cuidadoso TC
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