quarta-feira, 9 de abril de 2025

Tá cuidando do seu?

 


“Não precisa se preocupar, porque, no final, dá tudo certo”.

Divirto-me no Instagram quando me deparo com jocoso vídeo cujo tema é a afirmação acima. O vídeo é uma reflexão dez exposta com humor igualmente dez. Ocorre que a reflexão dez é voltada para as situações do presente, o que me leva a situar a sentença no passado, pois sinto nela forte catinga do condicionamento nocivo. Condicionamento, sabem todos, é a subordinação da vontade humana a um determinismo moral, religioso, ideológico, social, essas coisas. O condicionamento pode se tornar nocivo quando nasce de determinismos apoiados em afirmações com cheiros de verdade, mas que transportam nas entrelinhas o fedorzinho da falácia.

Digo pode porque o valor do condicionamento vai depender do que se faz da informação. “Não precisa se preocupar, porque, no final, dá tudo certo”, ou o similar “Depois da tempestade vem a bonança” podem mandar o indivíduo para a passividade, comodismo, para o deixa a vida me levar. Nocivo, pois. Mas de que depende esse “do que se faz”? Depende da cósmica briga do inconsciente com o consciente. Essa dupla, pessoal, vive entre tapas e beijos. O inconsciente abriga memórias, histórias, alegrias, alegorias. É no inconsciente onde são moldados caráter, valor, moral. Condicionamentos, seja o nocivo, seja o virtuoso, partem de lá para o consciente. Pelo gosto do inconsciente, tudo embarcado lá seria transformado em atitudes pelo consciente. Mas o consciente não aceita a imposição. Por quê? Porque Deus entra no jogo (Deus dá plantão no inconsciente, sabem, né?), balança o dedinho do não e nos dá o livre-arbítrio a fim de filtrarmos o que partiu do inconsciente.

É preciso cuidar bem do consciente a fim de se livrar de inconsistências do inconsciente. É preciso se ligar até mesmo nos condicionamentos virtuosos. Qualquer vacilo e o pestinha do inconsciente bota o caráter, integridade, essas coisas, no lixo.

Entender condicionamentos nocivos não mexe mais na Bolsa de Valores do que atitudes do aluado Trump, mas nos alimenta de repertório compreensivo. Tudo fica mais leve e humanizado. E esse tudo acaba evitando discussões com cheiros de brigas.

Vou ilustrar esta postagem com dois condicionamentos nocivos. Nocivos, vejam bem, pra quem ainda não sabe distinguir inconsciente de consciente.

O primeiro condicionamento é religioso.

É enorme equívoco dizer

que religião é um sentimento espiritual. Não é. Ser desta ou daquela religião é um condicionamento cultural. Tomo você como exemplo. Nasceu e criou-se no Brasil? É provável que seja cristão, pois o inconsciente cultural do país o levou a Jesus. Nasceu e criou-se na Tailândia? É provável que seja budista, pois o inconsciente cultural do país o levou a Budas. Nasceu e criou-se no Egito? É provável que seja muçulmano, pois o inconsciente cultural do país o levou a Maomé.

O segundo condicionamento é econômico.

“Recursos escassos para necessidades ilimitadas”.

É sério isso? Cresceu ouvindo isso, não foi? Mas recursos temos num estalar de dedos, gente. Ilimitadas não seriam a concentração de rendas?

Que cada um cuide do consciente se não quiser ser engolido pelo inconsciente.

Tá cuidando do seu?

Vida que segue. Ah, gente, o vídeo é muito legal. Assistam Instagram jujumecontatudo.

No 4 do 25

Cuidadoso TC


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