sábado, 30 de agosto de 2025

A VERDADE, A MENTIRA, O POÇO E A BEATRIZ

 


Imagino que já tenham lido o reflexivo texto sobre o encontro da Verdade com a Mentira, já que bastante exibido na internet. O autor, dizem, é indiano. Mas há quem diga que é brasileiro. Seja quem for, a verdade é que o texto ficou capenga, pois não mostra o final da história.

Vou colocar entre aspas o texto famoso e abaixo o cheiroso desfecho da história.

“Segundo uma lenda do século XIX, a Verdade e a Mentira se encontram um dia. A Mentira diz à Verdade: "Hoje está um dia maravilhoso!" A Verdade olha para os céus e suspira, pois o dia era realmente lindo. Elas passaram muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço. A Mentira diz à Verdade: “A água está muito boa, vamos tomar um banho juntas!” A Verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que realmente está muito gostosa. Elas tiraram a roupa e começaram a tomar banho. De repente, a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge.
A Verdade, furiosa, sai do poço e corre para encontrar a Mentira e pegar suas roupas de volta.

O mundo, vendo a verdade nua, desvia o olhar, com desprezo e raiva.
A pobre Verdade volta ao poço e desaparece para sempre, escondendo nele sua vergonha. Desde então, a Mentira viaja ao redor do mundo, vestida como a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque, em todo caso, o mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a verdade nua”.

Como eu disse, essa história não acaba assim.

O que acontece. Uma galera grega, liderada pelo Sócrates, fica fazendo panegíricos a fim de resgatar a Verdade. Resgatar não é bem o termo, já que eles não sabiam que a Verdade padecia num poço. A Verdade num poço? Nem pensar.

Pois bem. Num desses panegíricos, encontra-se a lindíssima e sábia Beatriz, a filha mais nova do Zeus. Aristóteles se dirige à Beatriz:

E aí, Bia, dás notícias da Verdade?

A Verdade está no Brasil, padrinho Ari. Numa cidade

por nome Natal, num poço marítimo chamado Dentão. Foi a trapaceira 7PC quem jogou a Verdade naquele poço.

Beatriz deu a informação e detalhou o banho da Verdade com a Mentira.

Logo no Brasil? Misericórdia! Não acredito. Puta que pariu, exasperou-se o Platão. Platão e os demais, gente, supunham a Verdade ali pelo entorno da Grécia.

Cabe agora a explicação sobre a abreviatura 7PC usada pela Beatriz para se referir à Mentira. 7PC – 7 pernas curtas - era um dos apelidos da Mentira. Tal apelido desaparece graças ao filósofo Olavo. Olavo prova que a Mentira não tem pernas. Tem asas. “A mentira não anda, gente. Voa”, assegurava o Olavo.

Nasce do 7PC, gente, os ditos de que 7 é conta de mentiroso e o de que a mentira tem pernas curtas.

Pois muito bem. Os gregos gostariam muito de resgatar a Verdade, mas, numa pindaíba desgraçada, não podem vir ao Brasil. Daí que transferem para os filósofos brasileiros a missão de trazer à tona a nossa amiga Verdade. Surge ali a expressão “A verdade vem à tona”.

Pois muito bem de novo. A brasileira Beatriz faz o meio de campo entre os gregos e os brasileiros e convida o filósofo Cortella para supervisionar o projeto resgatador. O Cortella convoca os colegas Karnal, Clóvis, Pondé, Djamila e viajam para Natal.

Missão pra lá de nobre, televisão do mundo inteiro noticiando a inusitada operação, começam as reuniões, discussões, estratégias. Na primeira reunião, apenas uma definição: a filósofa Djamila entregaria as vestes à Verdade. Não cairia bem, afinal, um marmanjo entregar calcinha e apetrechos diversos a uma dama. De mais a mais, a Verdade costuma ser escandalosa.

Na segunda reunião, falta definir apenas um ponto: quem entra no poço para subir com a Verdade. Povinho medroso, viu? Personagem de histórica foto, mas o medo os imobiliza. Então o Clovis apresenta a salomônica saída:

Vamos decidir essa porra na porrinha. Quem ficar por último pula no poço e sobe com a Verdade.

E assim se dá. Melhor, dar-se-ia, como diria outro festejado filósofo brasileiro. Cinco horas da manhã, estavam os quatro na beira do poço (Djamila fica fora da porrinha). Imprensa isolada, palitos nas mãos, mãos pra trás, queixos batendo, suor frio, e eis que o mundo assiste a um helicóptero pousando. Desce um moço com pinta de militar e se põe a balançar um papel e a gritar: stop, stop, stop. Vinha com uma ordem judicial para suspender o resgate. Um juiz acatara a tese da Empresa Brasileira de Unificação de Entulhos (Embrulho), segundo a qual os entulhos marinhos só podem ser retirados com autorização judicial. Como não existia tal autorização, a operação estava cancelada.

Vão recorrer?, querem saber os jornalistas.

Sim, sim, responde o Cortella.

Mas não precisa recorrer. Tão logo a ardilosa Beatriz lê o USA do helicóptero, corre pro carro dela e pega um papel. Volta com a cara mais inocente do mundo e pergunta o porquê de terem suspendido a operação:

“Por causa da porra de uma ordem judicial”, diz o Clóvis, mostrando o mandado.

Essa liminar é de ontem, Dr. Edu. Já foi cassada. Veja a decisão de hoje, diz a Beatriz, mostrando uma folha de papel com o brasão da república brasileira.

Podem arrancar a Verdade desse lamaçal, meus queridos, ordena a Beatriz, sorriso de orelha a orelha.

O perdedor da porrinha, o Pondé, pulou no poço. Palmas para a poderosa pendurada no pescoço do Pondé.

Mas a Beatriz não tinha ordem judicial alguma. O que ela havia mostrado era a sua certidão de nascimento.

Tais fatos ocorrem no aniversário da Beatriz: 30 de agosto.

Devo acrescentar duas metáforas porretas surgidas daquele episódio. O povão adjetivou o “crua” no “nua” e criou a “verdade nua e crua” para dizer que a verdade não precisa ser polida, enfeitada, manipulada, disfarçada, essas coisas. E outras. A segunda metáfora é “no fundo do poço” para resumir uma situação em que o indivíduo padece de extremas dificuldades.

É isso.

No frigir dos ovos, certo é que a mentira da Beatriz acabou salvando a Verdade.

 

30 de agosto do 25, aniversário da linda e perspicaz Beatriz,

Tim-Tim do TC

 

PS:

A bem da verdade – e sem duplo sentido -, a Beatriz não foi trapaceira com o Dr. Edu. Ela apenas cultiva a veia criativa do avô.

 


Um comentário:

Damião dfs disse...

A verdade é que, essa Beatriz puxou ao avô mesmo. Kkkkk