Para você e José ganharem belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris ou da cor da paz,
Ano Novo sem comparação com o tempo já vivido, ele todo
um sem sentido que ficou para trás
para você e José ganharem um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser e humano;
precisam ficar novo José e você
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha
Tinha uma pedra
Tinha
a festa não vai acabar
a luz não vai apagar
o povo não vai sumir
a noite não vai esfriar
e agora, José?
e agora, você?
Ano Novo até no coração das coisas
menos percebidasnovo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, se conquista
se ama, se compreende, se trabalha, se transborda
Você e José não precisam beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisam enviar nem receber dedadas
fazer lista de intenções benditas
para arquivá-las na gaveta das futilidades.
Não precisam chorar arrependidos
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditarem
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganharem um Ano Novo
que mereça este nome
você e José têm de merecê-lo
têm de fazê-lo novo
eu sei que não é fácil,
mas tentem, experimentem
conscientes
É dentro de você e José que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Tião Andrade e Drummond Carneiro
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