quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Tempos estranhos, estranhíssimos, assustadoríssimos

 

Tempos terribilíssimos estão vivendo os brasileiros (adoro parêntesis, prolixidades e superlativos, sabem, né?). Se não bastasse a censura a certas palavras ou expressões (denegrir, amanhã é dia de branco, policiar e a coisa tá preta estão condenadíssimas ao ostracismo), agora a estultice desembarcou com tudo no Congresso Nacional. Ah, tô me lembrando da coisa das havaianas. (Lembram da história do pé direito, pé esquerdo da Fernanda Torres?).

Pois bem. Os caras do Congresso Nacional querem acabar com o jogo de Xadrez e extinguir bichos do Jogo do Bicho. Culturas secularíssimas, gente.

No xadrez, já tem o precedente do presidente Figueredo (Lembram dele dizendo que odiava pobre?). O Figueredo odiava pobre e amava cavalo. (lembram das pedras do Xadrez? Vou avivar:  bispo, peão, cavalo, rainha, rei, torre). Pois bem. O cavalo só podia comer uma pedra. Figueredo mudou a regra para o cavalo comer mais de uma.

Acontece que

para comer outras peças, o cavalo tem que sair pulando em formato de L. Aí os caras, no finalzinho do Governo Bolsonaro, aprovaram uma lei dizendo que o cavalo até podia comer outras peças, mas nunca se mexendo na forma de L.

Eita píula, estou me lembrando de outra mexida. Duas, aliás. Também no Governo Bolsonaro. A pedra bispo passou a ser chamada Pastor e o movimento do peão passou... Ah, esse se lascou. O peão, sabem todos (e todas, né?), só pode andar pra frente, mas pode comer na casa da direita ou na da esquerda. Aí o Bolsonaro disse que o peão só ia poder andar pra trás e não ia mais poder comer as congêneres.  O bispo, por sua vez, que tinha a única função de se locomover, com a nova nomenclatura passou a comer todas as peças. Inclusive a rainha.

Cogitaram, ainda, de mexer nas regras do rei, mas a ideia brochou. O rei, sabem, né, é a única peça que não pode ser capturada. Quando o rei fica ameaçado, na iminência de ser capturado, acaba o jogo. Xeque-mate no jargão do xadrez. O rei é imorrível, por assim dizer. Mas a secular regra andou pertinho de ir pro lixo. Quiseram implantar a regra do vôlei. Rei encurralado no 0 a 1 ou 0 a 2, a galera voltaria pro tabuleiro e o rei ficaria de boa, chupando o dedo na dele. Felizmente, a regra foi rejeitada e as regras do xadrez continuam atuais pra todo mundo.

Mas a rejeição não eliminou os tempos estranhos, estranhíssimos, assustadoríssimos. Que voltaram com força na comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Já tomaram conhecimento da nova? Não?

Agora os caras querem acabar com o jogo de xadrez, nobríssimos. A bancada dos puros alega que o jogo de xadrez é jogo para intelectuais, letrados, estudantes, esse pessoal. E outros. “Precisamos nos adequar ao QI do brasileiro médio. Esse povo não pode ser humilhado por intelectuais que não têm o que fazer”, disse o presidente da comissão.

Se o projeto vai passar? Não sei. Mas não duvido de nata, gente.

Bom. O jogo do bicho. Gente, o GN, especialmente a bancada dos puros, quer extinguir 7 bichos do jogo do bicho. O jogo do bicho (sabem, né), tem 25 bichos. Pois bem. A bancada dos puros quer tirar desse universo o galo (13), o tigre (22), o leão, (16), o macaco (17), o veado (24), o peru (20) e a vaca (25). O 13 e o 22 por picuinhas políticas. O leão por representar feroz simbologia da Receita Federal, símbolo incoerente com a cidadania tributária dos brasileiros, o macaco por racismo. O veado, a vaca e o peru por apresentarem elevadíssimo viés homofóbico. A aprovação só está emperrada em razão da divergência acerca do 20, peru. Grande parte dos deputados entende que o peru não merece sair. Merece ficar dentro, nos 19, por assim dizer.

A coisa está nesse pé. Vamos ver que bicho vai dar.

Tempos estranhos, estranhíssimos, assustadoríssimos, né não?  

Sabe, pessoal, estava aqui de boa, na rede, gosto do cafezinho na boca, dedos segurando um maldito, matutando se devia postar esta prosa, aí acho por bem entrar no Instagram.

Praquê?

Dou de cara com um vídeo do “Acorda Brasil”, manifestação política do deputado federal da bancada dos puros, Nikolas Ferreira. Sabem, né, que caiu um raio na concentração do evento? Pois! Então. Uma senhora está sendo entrevistada. Abro aspas pra ela:

“Se eu tivesse morrido, teria sido por uma causa justa. É uma grande injustiça deixar nosso capitão no xadrez. Um homem humano e íntegro. Queremos nossa liberdade. Mas todos aqui sabem que esse raio não caiu aqui por acaso. Não se deve brincar com comunistas”.

Aí dei uma baforada no maldito e pensei:

Tempos estranhos, estranhíssimos, assustadoríssimos

No 1 do 26,

Estranhador TC

 

 

Um comentário:

Anchieta Figueiredo disse...

Na realidade, Tião, a maioria dos brasileiros tem preguiça de pensar, dá muito trabalho. Nesse sentido, é melhor acreditar nos ETs. Então, liguemos nossos celulares e apontemos todos no mesmo horário para o Planeta Marte...se não funcionar, direcionamos nossas orações para os pneus...