SÓ NÃO PODE SER ASSIM
(Sugiro
ler antes o post anterior. Mas é apenas sugestão)
Não.
Definitivamente não. Estou percebendo teus gestos. Queres te mostrar
indiferente, mas não consegues. Os sinais involuntários te traem. Tencionas
edificar algo íntimo e clamas por minha cumplicidade.
Não.
Não a terás.
Não
é assim que funciona. Tua salvação pode ser o pecado. A minha não tem o pode. É.
É a honra.
Não. Podes me imaginar à vontade. É-me impossível
evitar. Mas jamais serei depósito de teus animalescos suores.
Não. Enganas-te. É zero meu poder sobre teu sexo.
Não. Não preciso de gráfico. Tudo teu é transparente.
Inclusive a simulação. Simulação da intenção, é claro. Claro é que a intenção é
autêntica.
Não.
Não preciso de provas. Vejo tudo. Mudando-te, riscando-te, formatando-te. Queres
que desenhe?
Não.
Não quero te ouvir. Tua voz, teu olhar, tu, tudo, tudo de ti me tortura.
Sim.
Tortura e fere-me, sim. Certamente a ferida da paixão. Meu corpo dói, expele
suores. Alguns frios, de febre. Mas só alguns. A maioria origina-se da febre.
Sim.
Vivia disfarçando essa dor, sim. Agora estou aqui, ajoelhada, olhando-te
diretamente.
Sim. Sei disso, sim. Teu corpo é muito mais do que
sexo. Teu corpo forma uma sequência de volúpia, prazer e luxúria. É sexo, excitação,
xodó, orgia. Viste como teu sexo é sex?
Sim. Tens razão, sim. Não era eu uma segunda pessoa,
mas sentias-me assim.
Sim. Tem razão. Aquela pessoa corria de você. Não
mais correrei. Não serei mais a segunda pessoa. Serei mais eu. Sei que você tem
a capacidade de ler meu olhar. A partir de hoje, olhe-me atentamente e verá que
o vejo em dobro. Veja-me e verá ternura e paixão, corpo e prazer, gritos e sussurros.
Sim.
Quero que o mapa seja o território, sim.
Sim.
Quero que a imaginação se transforme em visualização. Não diz você que só se visualiza
o imaginado? Mas pode ser simultâneo, não pode?
Está
com medo? Não devia ter. Medo de amar é o cúmulo. Cúmulo de quê? Sei lá! Só sei
que é o cúmulo. Agora que me seduziu está morrendo de medo. Agora está vendo
pecado em tudo. Amar não significa pecar. Odiar, sim.
Prefere
o dito pelo não dito, então.
Não ou
sim?
Só não
pode ser assim.
Fevereiro/15
TC
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