domingo, 11 de maio de 2025

Sua mãe é Deus, sabia?

 


Sua mãe é Deus, sabia?

 

Sabia não? Veja as provas depois do parágrafo a seguir.

Durante uma viagem de fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen é raptada. Evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa cabana abandonada. Após quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela saudade da filha, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à cabana onde aconteceu a tragédia. Religioso intransigente, Mack vive às turras com Deus e levanta o atemporal questionamento: “Se o senhor é tão poderoso, por que deixou isso acontecer com a minha filha”? Bom. Mack bota o bilhete no bolso (Mackenzie, já faz um tempo. Senti sua falta. Estarei na cabana no fim de semana que vem. Se quiser me encontrar... Papai). Papai, gente, é como a mulher de Mack chama Deus. Mas ela desconhecia o bilhete. Então. Mack chega à cabana. Só encontra o abandono. E a mancha do sangue da filha. Depois de muito xingar Deus, Mack deixa a cabana. Com poucos metros de caminhada, Mack sente um jorro súbito de ar quente por trás. Mack se vira e agora vê um sólido chalé, cartão-postal da perfeição.

Mack é recebido por uma negra enorme e sorridente. A negra é Deus.

Esse intruso e longo parágrafo é rústica resenha de A Cabana, autor William P. Young, editora sextante, 2008. Desculpem-me por ter cansado seus olhos com a resenha, mas só a fiz para contextualizar Deus como a “Negra enorme e sorridente”. Li A Cabana em 2014. Li e postei aqui no Pocilga um texto em homenagem às mães, precisamente com o título acima. A razão do título? Instigar o leitor, assim como o Young me instigou. “Sua mãe é Deus” não é apelação literária. É um chamado para o leitor refletir sobre condicionamentos. Mas permanece sendo justíssima homenagem às mães no simbolismo de sua data festiva.

Algumas pessoas veem Deus como um velhinho de bengala, outras o chamam de presença infinita, de sabedoria extrema e de poder divino. Mas, sejamos sinceros, a evocação soa sempre na perspectiva do masculino. Usam Deusa, é certo, mas também certo de que a usam na acepção da sensualidade.

Incomoda-me

o condicionamento em que muitos humanos vivem. Por meio da estrutura familiar e da convivência social, foram se convencendo de que bugalho é alho, retalho é assoalho, assoalho é asseio. Na vida religiosa, o condicionamento de alguns o faz cair na lábia de sacripantas e tome lhes dar dinheiro em troca da salvação. Misericórdia. A humanidade caminha na carruagem do condicionamento, é verdade, mas é urgente sair da carroça do inconsciente e embarcar no cadillac do consciente a fim de descartar os condicionamentos de cabrestos.

Nada muda na vida de ninguém ao sair do condicionamento do Deus Pai para o racionalizado Deus Mãe. Mas pensar nisso é um afago no intelecto. No coração da mãe, o Criador fica acessível a todas as criaturas. O plano de misericórdia divina hospeda-se no coração materno. Provas? Minha Nossa Senhora! Só duas, tá?

Quem tem amor incondicional pelos filhos, a ponto de fazê-los semelhantes a ele? Deus, não? Quem tem esse amor pelos filhos, a ponto de chorar diante do primeiro sorriso? Mãe, não? Mãe é Deus, não? Viu as digitais dele?

Quem se esforça dia e noite em busca do bem-estar dos filhos? Deus, não? Quem, morta de cansada em razão de afazeres diversos, beija e acaricia os filhos? Mãe, não? Mãe é Deus, não? Viu as digitais dele?

Vou dar mais uma prova de lambuja. Mas têm mais. Muito mais. Vou deixar um “mais” pro nobre leitor e outro pra nobre leitora.

Quem administra a conservação da espécie humana? Deus, não? Quem cuida de continuá-la e preservá-la? Mãe, não? Mãe é Deus, não? Viu as digitais dele?

É provável que alguém esteja matutando este pensamento injurioso: “Esse escrevinhador é o satanás. Comparar uma abre-pernas pecadora com Deus salvador é o cúmulo do satanismo”.

É. Não duvido. Pensamentos desse nível é comum nos condicionamentos da vida. Normal em nome da liberdade. Germinam na cabeça de quem não aprendeu a separar contextos de contextinhos. Pessoas que vivem soterradas no inconsciente. Pessoas que preferem sofrer e resistir - em vez de aceitar e se conformar - ante um fato irreversível. Pessoas polarizadas: agridem o dono de um pensamento a elas contrário em vez de confabularem sobre o pensamento.

Por fim, devo lembrar que me refiro ao Criador e às mães. Mãe não é um simples substantivo. É um conceito universal, transcendental e divino. Refiro-me à zelo, proteção, carinho, amor. Não só os humanos têm mãe. Não só os humanos protegem os filhos.

Mexam com os pintos de uma galinha choca. Mexa com um bezerro sendo amamentado. Mexa, mexa, mexa... Mexa. Mãe é mãe, meu. E minha. Deus você não vê. Sente a autoridade dele. Mãe também. Você vive sentindo a autoridade dela, mesmo ela noutro plano (Esse menino, essa menina).

Mãe é Deus.

Abraços, beijocas e parabéns para as mães. Pra Deus, desculpem. E para as deusas, né?

Tim-tim

No segundo domingo de maio do 25,

TC

 

 


Um comentário:

Anchieta Cabral disse...

Parabéns, Tião! Mãe é sim semelhante a Deus. Amor incondicional, proteção, direção certa, juízo, enfim, dedicação 24 horas, é o que Deus faz por nós, seus filhos, todos os dias.