quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Benedito, seu danado

 


Este textinho só fará sentido para quem leu o “Será o Benedito?”, post abaixo. Daí que lhe sugiro dar uma espiada agora no Benedito debaixo.

Sucede que alguns leitores do “Será o Benedito?” passaram-me reprimendas em razão do texto não conter vírgulas, pontos, parágrafos, essas coisas. E outras. “Sua loucura passou do ponto, macho. Não entendi nadica de nada”, disse-me uma leitora de Fortaleza. Tem razão. Os diabinhos literários fizeram-me exagerar na pegadinha. É que os pestinhas adoram furar bolhas, pessoal. Espero que a nobre cearense me devolva a lucidez com a resenha a seguir. Leiam:

 

Benedito, gente, é um filosófico e poético vira-lata. Benedito deixa pegadas contextuais

ao longo do texto e se mostra por completo no último parágrafo. No início do texto, o filosófico Benedito dá imperceptível rosnado ao botar um “e” em “status” (lá na frente, ele bota um “i” e um “c” em vodica. Benedito, gente, não tá nem aí para grafia, pontuação e outras coisinhas da gramática.

Em seguida ao arroubo filosófico sobre obviedades, Benedito revela-se poeta quando diz beijar a boca da amante para sentir o doce das palavras. E beijar a sola dos pés dela para vislumbrar o caminho da vida. Aqui, Benedito rosna bem forte ao dizer que sua amante é uma cadela (beijar a boca dela).

Como qualquer cachorro, Benedito caminha a esmo, respirando de boca aberta, parando, assuntando. E assim, sem rumo e desavergonhado, Benedito acha de dar uma mijada a fim de pegar a direção para onde mais escorria mijo. Benedito vai bater num suntuoso salão, nada mais que num dos auditórios do Congresso Nacional. No CN não existe nada de cachorrada. É simples divagação do autor, que se sentiu envergonhado ao assistir a um vídeo de uma reunião da CPI da previdência, ocorrida na semana passada, em que um senador interrompe o solene momento para ridículo e patético “parabéns pra você” para um colega aniversariante, o senador Magno Malta. Senador “nelenós” é porque aquele povo só pensa neles. O “nós” são eles, não?

Muito bem. Benedito sai do CN e avista um evento religioso. Uma bonitona de cabelo curto fala na ida de pecadores ao inferno. O filosófico Benedito dá um grunhido de negar o inferno - inferno um cacete, rosna ele - e corre com medo da mulherada que corre atrás dele com chinelos nas mãos. Benedito entra num boteco, escuta barulhos de futebol, vai pra lá e releva o fato de um bando de marmanjos está correndo atrás de uma bola. Afinal, todo cachorro corre atrás de bola também, não? Benedito sai do estádio, dá longa mijada num pneu dum carro (grande pista de cachorro, não?) e fica todo ancho quando um menino o reconhece.

Por fim, Benedito mostra quem é ao botar o rabinho entre as pernas, coçar o focinho, estirar a língua, dar um grunhido e ir pra casa com a língua de fora.

 

No 10 do 25,

Porco carneiro


Um comentário:

Damião dfs disse...

Muito bom T.C. Tinha percebido a falta de sinalização no texto. Aí pensei: É mais uma pegadinha do T.C.