terça-feira, 9 de dezembro de 2025

A caveira e o jumento fantasma num emblemático julgamento do STF

 


“Segunda-feira, 18 de junho de 1962. Brasileiros ainda pulam de alegria. Afinal, a seleção brasileira é bicampeã mundial de futebol. No domingo, no Chile, vencera a Tchecoslováquia por 3 a 1. Nas Rocas, peixeiro bairro de Natal-RN, coisa de nove horas da manhã, um rapazola bebe água na bodega do Zezão, levanta a vista, vê brilhosa placa num poste e...

Não, Juquinha, grita o Zezão.

Depois, o Zezão diz que Juquinha ficara curioso com o vermelhão da placa e fizera menção de dar um pulinho para verificar se a tinta estava realmente fresca. Juquinha vivia dando pulinhos de sobrevivência na feira das Rocas, onde botava balaio de compras na cabeça para deixar nas residências do entorno. Juquinha também estava eufórico: havia feito o segundo frete. Ia dar um pulinho em casa a fim de deixar o dinheiro pra mãe comprar o feijão do almoço.

Juquinha não vai pra casa. O apavorante grito do Zezão chega tarde. Juquinha tinha dado o último pulinho da vida.

ATENÇÃO. NÃO TOQUE AQUI da placa parecia ao Juquinha tão só um monte de garranchos de tintas frescas. Mas o toque foi fatal. Seu frescor dos 17 anos desfizera-se em cinzas, já que os reluzentes garranchos nada mais eram que gravetos jogados no fogo do analfabetismo pelo poder público”.

São esses os primeiros parágrafos do Jumento Fantasma (Editora Nozes, 1972), histórico livro de R F Fontoura, pseudônimo da escritora potiguar Jakeline Santiago. O livro

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Quem sair por último pode deixar a porta aberta

 


É especulação marcar no calendário o dia em que surge o primeiro mal advindo de fenômenos naturais. E em especial quando são dois os fenômenos. E essa especulação se torna apelativa quando os fenômenos surgem no mesmo país e no mesmo dia. Assim como é colossal especulação garantir a causa desses fenômenos. Mas a Folha de São Paulo, de 28 de dezembro de 2026, reportou isso tudo. A Folha é jocosamente apocalíptica na manchete.

A humanidade já era. Quem sair por último pode deixar a porta aberta.

A Folha desdobra assim a manchete:

“O primeiro mosquitinho, logo apelidado de brochante, apareceu em Brasília, na tarde do 17 de dezembro de 2026. Na mesma tarde, apareceu em São Paulo, capital, a primeira cobrinha, logo apelidada de BFL. A soma desses aparecimentos chama-se vingança divina. A humanidade não aprendeu a lição da covid. Então o Criador achou por bem fazer uma limpa nela”.

Obviamente que não vou transcrever a matéria da Folha. Destaco, porém, alguns pontos. A Folha diz que o motivo da limpa do Criador é a “dabundância” do “D” – desdém, desconfiança, desumanidade - e sai nomeando os representantes do trio.

Como representante do desdém, nomeia um parlamentar carioca que foi para os Estados Unidos desdenhar do próprio país. Como representante da desconfiança, o nomeado é um banqueiro paulista que guardava 17 milhões de reais embaixo do colchão por desconfiar do próprio banco. Como representante da desumanidade, a nomeada é uma senhora pernambucana que trocou o amor de mãe por dinheiro ao mandar matar a própria filha.

Outros destaques da manchete:

A primeira vítima da cobrinha BFL foi um diretor da Fiesp. A cobrinha estava em cima dum notebook. Dali a duas horas o diretor estava morto. A BFL mede entre 17 e 22 centímetros e apresenta-se conforme a cor do ambiente. O tempo médio de vida do picado é de 3 horas. A BFL aparece do nada e do nada uma começa a comer outra. E é igualmente comum nascerem dois filhotes de cada comida. A pauta da imprensa nacional é noticiar mortes causada pela infeliz. A solução seria importar botas e luvas dos Estados Unidos. Ocorre que a importação desse kit não estava sendo possível, visto aquele citado desdenhador ficar botando areia na importação. No terceiro dia de mortes, surge abençoado alento. Descobre-se que a BFL é um ofídio brasileiro e urbano. Isso quer dizer

terça-feira, 11 de novembro de 2025

A Conferência da Dra. Angelicitina Duarte Alcifis

 

Apresentam a Dra. Angelicitina como a revolucionária pensadora do século 21. “Festejada no mundo inteiro”, acrescenta o panfleto. Vale a pena conhecer certas informações sobre a conferência.

Título: “TORNE-SE PLENO EM 20 MINUTOS”. Local: Centro de Convenções de Natal-RN, em 10/11/2025, às dez horas. Inscrição: 20 mil reais. Vagas: 71. Público: apenas políticos e empresários masculinos. O inscrito precisa aguardar 72 horas para saber se a inscrição foi aceita. A conferência será mostrada ao vivo por todas as plataformas digitais.

E eis que às 10 horas em ponto a Dra. Angelicitina chega ao auditório. Relevem os clichês a seguir, pessoal. É que preciso ser fiel à beleza estonteante e às curvas sinuosas da conferencista. A conferencista é loura, tem cerca de 30 anos, transporta excesso de beleza e é expositora de luxúria: está usando apenas calcinha e sutiã. Ajustadinhos ao corpo, os vermelhinhos obstáculos parecem artes de um Picasso libidinoso. Dá pra ouvir o sacolejar de água na boca da velharia e de se enojar com babas manchando paletós.. Dra. Angelicitina é tremenda provocadora:

“Bom dia, vermes criaturas e criaturas vermes. Vermes distintos, mas com algo em comum: a idiotice. Devo uma informação, aliás, aos 227 idiotas que não foram selecionados. O nível de torpeza dos senhores é ótimo, mas preferi selecionar aqueles com grau de repugnância maior. Então. Como autênticos idiotas, estão pagando mil reais por minuto para assistir a uma conferência que promete tornar os senhores plenos. Mas plenos de quê? Conferência, lembrem-se, que está sendo transmitida por todas as plataformas digitais. Desperdício de dinheiro e esbanjamento de vaidade, não? De mais a mais, simples clique no Google teria lhes informado

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Benedito, seu danado

 


Este textinho só fará sentido para quem leu o “Será o Benedito?”, post abaixo. Daí que lhe sugiro dar uma espiada agora no Benedito debaixo.

Sucede que alguns leitores do “Será o Benedito?” passaram-me reprimendas em razão do texto não conter vírgulas, pontos, parágrafos, essas coisas. E outras. “Sua loucura passou do ponto, macho. Não entendi nadica de nada”, disse-me uma leitora de Fortaleza. Tem razão. Os diabinhos literários fizeram-me exagerar na pegadinha. É que os pestinhas adoram furar bolhas, pessoal. Espero que a nobre cearense me devolva a lucidez com a resenha a seguir. Leiam:

 

Benedito, gente, é um filosófico e poético vira-lata. Benedito deixa pegadas contextuais

sábado, 25 de outubro de 2025

Será o Benedito?

 


certo é que exceções ganharam o estatus de obviedades e estas foram rebaixadas para exceções de regras viajando pras cucuias é preciso respirar fundo nas pausas da preguiça do contrário fica como bosta nágua sem entender a razão daquele cara ter dito que tinha beijado a boca dela para sentir o doce das palavras dela e que tinha beijada a sola dos pés dela para encontrar o caminho dele quando seria mais lógico dizer que beijou a boca dela porque tava excitadão e que beijou a sola dos pés dela porque é um pervertidão respirando parando e andando deu de cara com caras feias quando insinuou que quanto mais via os livros de religião mais da religião se afastava e que quanto mais botava os olhos na ciência mas pertinho de deus ficava aí teve que sair correndo babando e respirando até que parou numa encruzilhada indeciso qual caminho pegava só sabia que o do medo o da covardia e o da depressão não pegava aí sem confiança teve a ideia de mijar espalhando

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Você não escolheu Jesus

 


Prezado anônimo, excluí seu comentário sobre a postagem “Ufa! A valorização do professor”. Inadvertidamente, juro. Mas julguei tão agressivo o comentário que resolvi me defender publicamente com esta publicação. “Anônimo”, pessoal, é como o Pocilga chama o comentarista que preferiu não se identificar. Não, anônimo – ou seria anônima? -, não desrespeitei nossos mestres. Você me esculhambou porque fiz linda professora e bela ex-aluna se assarem na cozinha ao mesmo tempo em que o marido da professora e uma assanhada aluna dele corriam para um quarto a fim de apagar fogo. E amplificou a esculhambação ao ler o escrito da assanhadinha na porta do quarto: “NÃO PERTUBEM. VALORIZANDO O PROFESSOR”. Essa sentença é desrespeitosa, casto anônimo? (Postagem abaixo desta, pessoal).

Sua cachola cognitiva, anônimo, foi incapaz de inferir o contexto da irônica espezinhada no poder público, que fica dando tempo ao passado com a promessa de valorizar o professor. É certo que, publicada, toda peça literária passa para o domínio do leitor. Daí que não questiono a sua avaliação de texto prolixo e promíscuo. Mas essa prerrogativa não lhe concede o direito de me rotular de idiota, carnal e abre-alas da laia dos pervertidos.

Agora preciso comentar a forma de seu atabalhoado comentário. Misturou tudo, anônimo. Imprecisão lógica e analfabetismo conceitual deram na canela do atabalhoado:

“Não me leve a mal, TC”. Disse você. Você, anônimo, fala cobras e lagartos de mim e ainda pede que não o leve a mal. Me poupe. “Quem sou eu pra julgar. Minha crítica é construtiva, TC”. Porra, anônimo. Você não julga. Não julga, mas critica. Já viu alguém criticar sem antes julgar? Todo mundo julga, anônimo. Só e unicamente um ser não julgou. E permanece

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Ufa! A valorização do professor

 

Acontece na tarde de sábado, 11 do 10 deste 25.

Miraia e o Carlão bebem vinho assistindo a um filme na TV. Miraia e Carlão são casados. Ele com ela e ela com ele, que fique claro. São professores de português em colégios distintos. O WhatsApp do Carlão bate palmas, Miraia lê a mensagem:

“Uma tal de Fifi”.

Carlão lê:

“Boa tarde, professor. Vc tá no ap? Gostaria de tirar umas dúvidas sobre aquela redação. Posso ir aí”?

Carlão comenta com a Miraia:

Pedi que a turma treinasse para o Enem com o tema “O desafio de valorizar o professor”. Aí essa sem noção quer discutir a redação logo agora. Vou dizer que estou no shopping.

Que que tem, amoreco? Mostra que é uma aluna interessada. É bonita?

É linda. Não posso negar.

Então ela tem curvas sinuosas, rosto diagramado e atitudes fidalgas. Bonita de tudo e charmosa.  Não é esse o seu conceito de mulher linda?

Sim. Mas isso não quer dizer que...

Sei bem o que isso quer dizer, amoreco. Me poupe. Ela mora aqui por perto?

De carro, uns cinco minutos.

Como você sabe? E como a Fifi sabe que moramos aqui?

Já dei carona a ela, Miraia. Mostrei-lhe o condomínio naquela noite.

Entendi. Deu carona a ela naquela noite. E ela? Já lhe deu à noite também?

Ah, Miraia, você está de brincadeira. Dê-me o celular. Vou dizer...

Agora é tarde. Acabo de dar o número do apartamento. Precisamos valorizar o bom aluno, amoreco. Mas troque esse calção cabeçudo e a regata vazando cheiro de macho. A Fifi é muito da espertinha, viu?

Como assim, Miraia?

Oh, amoreco. O Enem